A volta de Zé do Caixão


O lançamento de Encarnação do Demônio, retorno triunfal de José Mojica Marins ao jogo cinematográfico, é algo a se comemorar. Comemorar com a nossa melhor roupa preta, degustando o melhor dos drinks do inferno. Vocês sabem, o Mojica, que estréia nesta sexta-feira a última parte da trilogia de Zé do Caixão, iniciada com o clássico À meia-noite levarei sua alma, de 1964, é um verdadeiro gênio intuitivo (e isso não é constatação de fã, não). O cara inventou toda uma mítica de terror sem nenhum tipo de recurso e foi algoz e vítima de si próprio em episódios insólitos – leiam a biografia Maldito: a Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, dos grandes André Barcinski e Ivan Finotti.

Bem, aproveitando o ensejo, lembro aqui de um projeto no qual estive envolvido e que me deu extremo prazer: uma série de shows tributo ao mestre. Em 2002, o grupo audiovisual LCD (dos amigos Paulo Beto, Miguel Barella, Eloi Silvestre, Kiko Araújo), produziu o espetáculo LCD encontra Zé do Caixão e seu extranho (assim, com x mesmo) mundo sonoro e tive a honra de ser um dos convidados. Minha performance consistia no recitar da letra da música A peleja do diabo com o dono do céu, do Zé Ramalho, um dos artistas prediletos do Mojica. Naquela toada louca também li um texto meu que tinha a ver com os ditos do Ramalho. Magda Pucci, do Mawaca, me acompanhava ao acordeon. Além de nós, integrantes do Gengis Khan, atores do grupo de teatro do Mojica e, claro, o próprio iam se revezando no palco ao som de batidas eletrônicas e improvisações visuais. Os show aconteceram no Sesc Pompeia e na Oficina Cultural Três Rios e não é preciso dizer que os encontros com Mojica e sua turma foram adoráveis. Tenho orgulho de ter dividido algo criativo com o aquele senhor de cartola, anéis e unhas compridas.



Com Magda Pucci no acordeon: A peleja do diabo com o dono do céu


O próprio José Mojica Marins, o Zé do Caixão, no encerramento

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