ECCE HOMO: Gainsbourg por Scandurra

Sou um dos Les Provocateurs, projeto criado pelo amigo Edgard Scandurra em 2008, quando da celebração dos 80 anos de nascimento de Serge Gainsbourg. E neste final de semana participo do evento Ecce Homo: Gainsbourg por Scandurra, no Centro da Cultura Judaica, em São Paulo. Programação intensa, que tem até performances de Fausto Fawcett e Wanderléa, sim, a Ternurinha. A entrada é franca. Mais informações abaixo. Até lá.



Para marcar as duas décadas do falecimento de um dos mais talentosos cantores e compositores franceses do pós-guerra, o Centro da Cultura Judaica apresenta, nos dias 18 e 19 de junho, um festival em homenagem Serge Gainsbourg. O objetivo é dar oportunidade ao público paulistano de descobrir o vasto universo do artista, cuja vida boêmia, romances escaldantes e constantes provocações o transformaram num ícone da cultura francesa do século XX. Para realizar a curadoria deste projeto, o Centro convidou o músico Edgard Scandurra, conhecido como um dos grandes guitarristas brasileiros, que esteve a frente do IRA!, além de ser um grande admirador do trabalho e da música de Gainsbourg.

O Festival “Ecce Homo: Gainsbourg por Scandurra”, apresenta o grupo Les Provocateurs, criado pelo músico paulista, que irá receber no palco do Centro da Cultura Judaica convidados especiais para duas noites de celebração. Para a primeira apresentação, no dia 18/06, Scandurra convida o irreverente dramaturgo e escritor carioca Fausto Fawcett e a cantora BluBell. Já no dia 19/06 será a vez da rainha do pop brasileiro dos anos 60, a “ternurinha” Wanderléa, interpretar canções do compositor. O show contará ainda com a presença do cantor Thiago Phetit, premiado em 2010 pela MTV como aposta do ano.

Segundo Yael Steiner, diretora geral executiva do Centro da Cultura Judaica, são 20 anos de ausência de um dos mais talentosos cantores franceses de últimos tempos. “Seu legado é inegável. Gainsbourg deixou brilhantes composições, seja em arranjos simples ou sofisticados”, lembra. Em sua música podemos notar diversas influências que vão do jazz, rock, pop, música erudita, passando pelo bolero, música africana, reggae, tango, até a bossa nova e o psicodelismo. “Para resgatar toda essa rebeldia gainsbourgiana, ninguém melhor do que o guitar heroe Edgard Scandurra”, diz Yael. O repertório abrangerá todas as fases do cantor, desde seu início com as tradicionais chansons até o pop rock eletrônico da primeira metade da década de 80 do século passado.

Antes dos shows, serão exibidos trechos de entrevistas raras de Serge Gainsbourg, dados por ele em meados dos anos de 1960, além de uma especial introdução feita pelo escritor e jornalista Xico Sá. Grande fã do cantor, Xico irá traçar o perfil boêmio e mulherengo de Gainsbourg. Dentro da agenda, ainda está previsto um pocket show com o trio SUITE, tocando em ritmo divertido e contagiante canções da era pré-gainsbourguiana, focando a atmosfera de cabaret que também influenciou a carreira de Serge. No repertório, Boris Vian, Juliette Gréco, Henri Salvador, entre outros. Tocando em festivais de música francesa e em conceituados cafés, o grupo tem se destacado na noite paulistana.

Para a produção das imagens que compõem o cartaz de divulgação do Festival, o Centro da Cultura Judaica convidou o ilustrador Andrés Sandoval, que conseguiu captar toda a atmosfera boêmia e envolvente que cerca o cantor francês.

Serge e sua música
Talentoso, o compositor soube trafegar por diversos ritmos e estilos, desconstruindo e valorizando a língua francesa. O cantor também ficou conhecido por suas letras de construções rítmicas complexas, com duplo sentido e sarcasmo mordaz. “Os protagonistas das canções sofriam de paixões eloquentes e proibidas, os personagens eram do submundo da boemia, lamentando fracassos pessoais, contando um pouco de realismo fantástico e futilidades do cotidiano. Tudo foi poesia para Serge Gainsbourg”, diz Edgard Scandurra.

Grandes intérpretes e personalidades, como Juliette Gréco, Françoise Hardy, France Gall, Brigitte Bardot, Catherine Deneuve, Anna Karina, Jacques Dutronc, Isabelle Adjani, Vanessa Paradis, Jane Birkin e até sua filha Charlotte Gainsbourg já cantaram algumas de suas canções.
De pais russos, o jovem Gainsbourg cresceu como judeu sofrendo preconceito durante a 2ª Guerra Mundial, o que fez com que se escondesse num orfanato no interior da França por alguns anos. A experiência de ser estrangeiro em seu próprio país foi o que o levou, em parte, a ser este poeta que transformou a língua francesa por dentro. Ecce homo, “este é o homem” em latim, é título de uma música autorretrato do cantor e traz uma referência direta à apresentação de Jesus por Pôncio Pilatos. “Eles amam me odiar”, disse Gainsbourg que se considerava uma figura cristã dos tempos modernos do underground francês.

Les Provocateurs
Criado pelo músico e compositor Edgard Scandurra em 2008, quando foi celebrado 80 anos do nascimento do cantor francês, o Les Provocateurs surgiu pela paixão de Scandurra pela música francesa, especificamente por Serge Gainsbourg. O nome do grupo foi pensado para homenagear os enfants terribles que tinha como característica letras sedutoras e politicamente incorretas.

O grupo é formado por Bárbara Eugênia e Juliana R (duas cantoras emergentes da nova cena de música brasileira), Andrea Merkel (cantora), Alex Antunes (jornalista e escritor), Astronauta Pinguim (orgão e piano), Claudio Fontes (bateria), Criolo Chris (cantor e legítimo francês), Henrique Alves (baixo), Rodrigo Carneiro (crooner, jornalista e poeta) e Edgard Scandurra, que também faz a direção artística geral.

Gainsbourg nos cinemas

Paralelamente à programação, está previsto, no dia 8 de julho, o lançamento do filme “Serge Gainsbourg, um homen que amava as mulheres”, obra de ficção escrita e dirigida por Joann Sfar, considerado um dos artistas mais importantes da nova geração do quadrinho contemporâneo franco-belga. Nascido em Nice, onde fez mestrado em filosofia e cursos de pintura, escreveu e colaborou em mais de uma centena de livros para adultos e crianças. Vencedor do prêmio Goscinny, é autor de mais de 30 álbuns de quadrinhos, incluindo O Gato do Rabino, publicado pela editora Jorge Zahar, cujo filme será lançado na França este ano. Muitos de seus quadrinhos foram publicados pela l’Association, fundada em 1990 por Menu e outros artistas.

Festival Ecce Homo: Gainsbourg por Scandurra
Concepção e realização: Centro da Cultura Judaica
Direção geral: Edgard Scandurra
Produção: Helena Forghieri
Vídeo, cenário e projeção de vídeo: Eduardo Beu
Tradução: Sebastian Bah

Data: 18 e 19 de junho – Teatro
Ingresso: gratuito* (Os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do Centro e estão sujeitos à lotação do espaço)
Horários:
18/6, às 20h30, com Fauso Fawcett e Blubell (a festa continua no clube Alberta#3).
19/6, às 19h00, com Thiago Pethit e Wanderléa.

Centro da Cultura Judaica – Rua Oscar Freire, 2.500
Alberta#3 – Av. São Luís, 272, República
Site: www.culturajudaica.org.br

Comentários

murmex'leila disse…
ne t'en vas pas chanson de lautruche?
Anônimo disse…
cuma?

Postagens mais visitadas