Vida depois do Facebook

Achei foda o texto de Tom Brady, do The New York Times, publicado nesta segunda-feira no caderno dedicado ao jornalão norte-americano na Folha de S.Paulo. Como diz o Daniel Pellizzari, que época pra se viver.

Vida depois do Facebook

(Tom Brady)

Quando a era das redes sociais estava entrando na corrente dominante, Rupert Murdoch pagou US$ 580 milhões por uma das propriedades mais quentes da internet -o MySpace. O executivo-chefe da concorrente na aquisição, a Viacom, foi demitido após seu patrão se queixar de que perder era uma "experiência humilhante".

Isso foi cinco anos atrás. Há poucas semanas, o MySpace demitiu a metade de seus 1.100 funcionários. O declínio do MySpace mais uma vez demonstra a fragilidade da mídia social, onde consumidores instáveis fazem serviços como Friendster subitamente parecerem indispensáveis, mas que desaparecem com a mesma rapidez. Segundo a empresa de marketing comScore, o MySpace relatou 54,4 milhões de usuários no final de novembro, 9 milhões a menos que no ano anterior.

"O MySpace era como uma grande festa, e a festa mudou de lugar", disse Michael J. Wolf, ex-presidente da MTV Networks, da Viacom, e sócio-gerente de uma firma de consultoria de mídia. "O Facebook tornou-se muito mais um serviço público e um veículo de comunicação."

Os detritos da Internet incluem muitos nomes que já foram famosos. Netscape. Infoseek. Alta Vista. CompuServe. Excite@Home.

Poderia o Facebook, que hoje recebe mais acessos que o Google, um dia juntar-se a eles? O que passa para a posteridade na era da internet? O que restará quando a poeira digital baixar?

O Goldman Sachs investiu US$ 450 milhões no Facebook no início do mês, o que eleva o valor da empresa para US$ 50 bilhões. Mas antes que o Goldman comprasse essa participação, um poderoso grupo de investimentos da mesma companhia recusou a oportunidade de comprá-lo. Um motivo pelo qual Richard Friedman, um antigo sócio que administra o grupo, teria evitado o Facebook é que seu fundo foi prejudicado há dez anos após se carregar de favoritas de tecnologia e telecomunicações durante a bolha das pontocom. Um dos fundos da unidade, que levantou US$ 2,8 bilhões em 1998, investiu cerca de 70% de sua carteira em empresas da Internet.

A bolha das pontocom tornou-se uma bomba em 2001. Um dos investimentos do Goldman, a Webvan, despencou. Ela tinha sido apoiada de modo entusiástico pelo executivo-chefe do Goldman na época, Henry M. Paulson Jr., ex-secretário do Tesouro dos EUA. Ao que parece, Friedman aprendeu uma lição importante.

A Webvan.com, hoje propriedade da Amazon, continua viva. Uma das realidades assustadoras da era das redes sociais é que as impressões digitais persistem muito depois de os usuários terem partido do mundo físico. Dos mais de 500 milhões de membros do Facebook, cerca de 375 mil morrem anualmente nos EUA.

A arquitetura da web acelerou um dos aspectos mais impiedosos do capitalismo, a destruição criativa, em que empresas são postas de lado como velhos celulares. Mas é mais benigna quando se trata de legados pessoais.

"Posts" do Facebook, "tweets" do Twitter e vídeos do YouTube vão sobreviver depois que o corpo partir. Acontece que o ciberespaço pode ser mais generoso para os indivíduos do que as empresas que capitalizaram suas capacidades técnicas.

Paul Kimball, um cineasta da Nova Escócia, desenvolveu muitas amizades on-line e até colaborou em uma peça com um amigo do Facebook que morreu. Ele disse ao "Times" que "continua tendo essa conversa" com seu amigo postando um link para um dos posts do morto no Facebook e fazendo que as pessoas de seu círculo on-line reajam a ele.

"Estamos entrando em um mundo onde todos podemos deixar um legado, como George Bush ou Bill Clinton. Talvez seja a democratização definitiva", disse Kimball. "Ela dá a todos nós a possibilidade de sermos imortais."

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