Olho no lance


Tenho um poeminha que diz assim: "Deram-me morangos/ para amenizar a morte súbita/ e uma ânsia de vômito/ impediu que eu provasse vermelho fruto./ Desapontando todos aqueles/ que ali estavam, tomei nos braços/ minha desfalecida esperança/ e a velei em outros cantos". Foi escrito ainda na juventude e me define. Sim, sou um descrente crônico. Um ressabiado em loop. Um existencialista tropical. Porém, me flagro deveras comovido diante do que tem acontecido nas ruas de São Paulo, do Brasil afora. Era exatamente o que desejávamos nós – antes do meu cansaço de alma - na série de protestos do final dos anos 1980: uma poderosa confluência de insatisfeitos. Não vou me estender em análises, há gente mais capacitada – e também não – pra tanto, mas, só quero deixar aqui registrado que o momento histórico é riquíssimo (ó, que sacada iluminada). Não estive nas manifestações desta segunda-feira, 17, nem nas anteriores; e é pouco provável que esteja nas próximas, no entanto, sigo de olho no lance. Minhas homenagens à rapaziada. Poder para o povo, porra. A foto é do meu amigaço Otavio Sousa.

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