Tem uma foto que eu gosto muito. Nela, criança de colo, estou nos braços do meu pai, na casa dos 20 anos. Ele me apresenta à pequena biblioteca da sala do nosso lar: uma estante com volumes de enciclopédias, exemplares de textos teatrais, esculturas de barro nordestinas e brochuras de filosofia. Havia na dinâmica familiar três departamentos complementares: o literário, dele; o musical, de minha mãe; e o das artes cênicas, vivido com devoção por ambos. Algo presente no documentário "Mercedes e Ricardo" (2020), que tive o privilégio de codirigir com Otavio Sousa — produção que, dia desses, emocionou para valer um amigo cineasta (o filme está disponível no YouTube e no Ubuplay). Digo tudo isso pois, no retrato que ilustra a postagem, figuramos eu e a minha primeiríssima influência na literatura, Ricardo Aparecido Dias, n'A Feira do Livro, neste sábado, 06, após a mesa 'Cartografia do som', dividida entre mim, Fabiana Caso e Talita Hoffmann, com mediação de Amanda Mont'alvão, seguida da sessão de autógrafos de nossos rebentos. Em suma, a obsessão pela palavra desde a década de 1970. A matriarca, Mercedes de Souza, e meu sobrinho, Theo, também estavam por perto. Grato pela experiência. Estande das editoras Terreno Estranho e Hipotética, Praça Charles Miller (SP), junho de 2026. Foto: Iriz Medeiros
Via Facebook, o amigo Gunter Sarfert lembrou de sequência maravilhosa de um dos meus filmes brasileiros preferidos, Os Sete Gatinhos (1980), de Neville d'Almeida, baseado na obra de Nelson Rodrigues.

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