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“DIZ-ME, POETA...

Diz-me, poeta, o que fazes? — Eu canto. Porém a morte e todo o desencanto, como os suportas e aceitas? — Eu canto. O inominado e o anônimo, no entanto, como os consegues nomear? — Eu canto. Que direito te faz, em qualquer canto, máscara ou veste, ser veraz? — Eu canto. Como o silêncio dos astros e o espanto dos raios te conhecem?: — Porque eu canto.” (Rainer Maria Rilke, poema extraído do livro “Coisas e Anjos de Rilke”, 2013, cujas traduções e a organização são de Augusto de Campos. Ele, aliás, dedica “Diz-me, poeta...” ao irmão, Haroldo)

"Atlanta: Robbin' Season"

Em agosto de 2018 eu tive a honra de assinar a reportagem principal da temporada Diversidade da revista Bravo. O batuque “Uma relação nada delicada” abordava negritude, preconceito e indústria cultural. Lá pelas tantas, escrevi: “Seja no Brasil seja no exterior, o combate ao racismo tem apresentado um salutar arsenal de novos olhares, de notáveis abordagens criativas. A seara audiovisual é prova disso. Exemplos são séries de TV, como ‘Cara Gente Branca’, de Justin Simien, que enfoca com brilhantismo a tensão racial entre negros e brancos de uma universidade de elite americana, e ‘Atlanta’, de Donald Glover, em que dois primos, um MC e seu empresário, buscam a todo custo um lugar ao sol no cenário hip hop da Georgia”. Volto ao escrito - cuja íntegra está aqui -, pois acabo de assistir à segunda temporada de “Atlanta”, intitulada “Robbin’ Season”. Nada menos que estupenda. Desconcertante também. Disponível na Netflix.

Comemorar?

No tocante à efeméride do fim de março, francamente, não há nada a ser comemorado. Sob a luz do óbvio estão o despropósito, o exibicionismo, a piada trágica e uma série de outros bichos que não têm nome.

Exame de balística

A ode às armas acaba, invariavelmente, em disparos, cenários de horror, resquícios de pólvora, silêncio dos alvos e odor de enxofre obstruindo narinas.

Enquanto isso, em 1963

Sobre o real

Dora Garcia, Golden Sentence, 2014

Nestes sábado, 23, e domingo, 24

Cantando e lendo poemas, participo neste fim de semana das apresentações especiais da Gang 90, que homenageiam o fundador da trupe, o saudoso Julio Barroso. Aliás, o livro “A wave is a wave”, com ilustrações e textos inéditos do DJ, poeta e jornalista, ganha as ruas pela editora Demônio Negro. Felicidade em demasia.