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Mostrando postagens com o rótulo música

"Absoluto possível"

Já fui salvo pela música tantas vezes, que, diante dela, sou um amontoado de dívidas constrangidas. Içado das fossas mais profundas, protagonista de ressurreições, acalentado em manhãs doloridas, cujo peso equivalia a toneladas. Hesitante com a ideia de Deus, ungido pela harmonia, encontro na musicalidade o absoluto possível, a transcendência pulsante, bailarina, o amor inconteste, o verdadeiro e eficaz alento. Oremos, pois. Dancemos. (Um dos meus poemas recentes. Foi lido pela primeira vez no Saguão Fest, no Hotel Bar, em São Paulo, no sábado, 13. Foto: Frederico Finelli)

E-mails bancários e o baile de máscaras

Há uns dias, eu recebi um e-mail. "Um show exclusivo e feito para vc, já imaginou?" era o assunto. Vinha do banco do qual sou correntista - ou acorrentado – e me dizia assim: "A música faz parte da sua evolução. Ela sempre esteve como trilha sonora de todas as suas conquistas. Agora, para embalar suas futuras realizações, o [não vou citar o nome da instituição bancária] oferece a oportunidade de escolher o show que você quer ver em um festival exclusivo ao vivo na internet". A mensagem dava mais detalhes da votação. Eu teria que decidir "entre duas bandas que são sucesso no cenário do rock nacional" e, feito isso, conferir o espetáculo - as opções, evidentemente, não me motivaram a participar. Hoje, me informa o banco, saiu o resultado. Sim, o baile financeiro de máscaras, tendo a música - entre outras modalidades artísticas - como mero acessório, segue glorioso e horrendo. Operando tanto às claras quanto às sombras. Meus parabéns aos envolvidos.
"A minha prioridade nesse negócio é a música." (Betty Carter)

Ao rei

A título de registro, gosto muito de Roberto Carlos e cada trapalhada ditatorial do famoso parceiro de Erasmo me é especialmente indigesta. Falo isso pois revi ontem "Uma noite em 67" (2010), ótimo documentário de Renato Terra e Ricardo Calil – lá está o jovem artista radiante, dono de um magnetismo intenso -, e, assim que a exigência de recolhimento do mercado do recém-lançado "Jovem guarda: moda, música e juventude", dissertação de mestrado de Maíra Zimmermann, veio à tona, lembrei de uma sequência de "Pixote: a lei do mais fraco" (1981), de Hector Babenco. Pô, censura não, meu rei.