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Roberto Piva (1937- 2010)

Manhã preguiçosa de domingo. Não sei o que é internet desde o início da tarde de sábado. Me perdi pela cidade, sorvendo música e encantos. Saibo só agora da morte do poeta – às 15h30 de ontem, a essa hora seu corpo já ardeu no crematório. Reverente, vou à estante, saco do livro 20 poemas com brócoli , abro à sorte e o que surge é lido em voz alta: XX (Roberto Piva) vocês estão cegos graças ao temor olhares mortos sugando-me o sangue não serei vossa sobremesa nesta curta temporada no inferno eu quero que seus rostos cantem eu quero que seus corações explodam em línguas de fogo meu silêncio é um galope de búfalos meu amor cometa nômade de riso indomável façam seus orifícios cantarem o hino à estrela da manhã torres & cabanas onde foi flechado o arco-íris eu abandonei o passado a esperança a memória o vazio da década de 70 sou um navio lançado ao alto-mar das futuras combinações

Roberto Piva hoje; e eu?

Pela segunda vez no ano vou perder uma aparição pública do poeta Roberto Piva. A primeira deu-se na Casa das Rosas, em pleno feriado comemorativo do aniversário de São Paulo. Era janeiro, 25 – batuquei sobre num post. Questões profissionais - ah, a labuta - impedem que eu tome o caminho da livraria do Espaço Unibanco (rua Augusta, 1475) e aporrinhe o poeta com a minha tietagem. Nesta segunda-feira, Piva lança por lá, às 19h, o terceiro volume de suas obras completas: o inédito Estranhos sinais de Saturno .