Há os que se assustam com as rugas dos Rolling Stones. Afinal, em primeira leitura, o rock é território dos verdes anos: o som da juventude. Acontece que o gênero tem cinco décadas sobre a Terra e oferece ao mesmo tempo a idéia da juvenilia sem fim e a possibilidade de espreitar o amadurecimento de seus personagens – e seguidores. Os velhos Stones, e outros maduros, maduríssimos, rockers, aprenderam tudo com o jovem octogenário que se apresentou ontem no HSBC Brasil, em São Paulo. Chuck Berry em cena é uma miríade de significados. Está lá o homem que cruzou limites raciais ao ter a sua frente platéias mistas em uma América segregada. O homem que não levou desaforos pra casa e, certa vez, quebrou a cara de Jerry Lee Lewis – outro casca grossa. O homem de Johnny B. Good - eleita pela Rolling Stone norte-americana como a melhor canção para guitarra de todos os tempos - e Rock and Roll Music . O letrista eficaz e onomatopéico. O homem que tocou seus clássicos e, a exemplo da passagem pelo...