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Mostrando postagens com o rótulo Brasil

Ainda sobre ontem

  Arte: Ricardo Scarpa

Versos finais

"O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus. Depois todos morrem." (Oswald de Andrade, versos finais de "Recordação do País Infantil", poema extraído do livro "Serafim Ponte Grande", 1933)

Dormi no 7 a 1

Leio que no dia 08 de julho de 2014, há exatos seis anos, portanto, a seleção brasileira pentacampeã experimentou uma goleada de proporções inimagináveis: o famoso 7 a 1 diante da Alemanha no estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG), nas semifinais da Copa do Mundo – torneio realizado em solo pátrio, diga-se. Eu, que não assistia a um jogo de futebol desde 1982, me vi, ao mais completo acaso, frente a um aparelho de TV ligado. Na tela de plasma, os jogadores corriam atrás da bola, os narradores faziam seus comentários, a audiência, possivelmente, sofria e os patrocinadores anunciavam seus serviços. Lembro que, desatento, feliz, entediado, relaxado, não sei ao certo, dormi no sofá, durante quase toda partida, naquela cochilada típica dos abstraídos. Foi isso. Foto: Agência Reuters 

Gravidade

- aos arrependidos - o trágico era mais do que anunciado

Discoteca Básica Sentimental

Escrevo sobre os gigantes acima e uma certa terra em transe na seção Discoteca Básica Sentimental da "Zumbido", uma publicação do Selo Sesc. Leia aqui .

Poder, corrupção e mentiras

“Power, Corruption & Lies” (1983) dá nome a um dos encantamentos fonográficos cometidos pelo New Order. Capa das rosas de Henri Fantin-Latour e projeto gráfico de Peter Saville. Canções envolventes. Minutos de altíssima beleza. A propósito, é sempre muito adequado o título do álbum. Sobretudo ao Brasil, terra em transe, a Fênix hesitante diante das próprias cinzas.

Brasil

Sujeito de meia-idade, eu já vi o Brasil acabar algumas vezes. O padrão de comportamento é nítido: passada a calmaria eufórica, há um desmoronamento, uma redução a pó, tudo seguido de um constante renascer das cinzas. Porém, a Fênix tropical é hesitante e infinitamente atabalhoada. O que causa espécie no atual ocaso do país é que ele tem apresentado, diante não só do meu olhar estrábico, requintes de crueldade aliados a um, digamos, arsenal de piadas de extremo mau gosto. Logo mais vêm as cinzas, sabe-se bem, mas a etapa – longa – segue especialmente aflitiva.

A rua é o coração da cidade

O hip-hop tem quatro décadas de existência. E, ao congregar oralidade, técnicas distintas de dança, modos - àquela altura - inéditos de produção e execução musicais, arte urbana e os anseios de negros e latinos na Nova York dos anos 1970, é uma das expressões da cultura jovem mais instigantes do século 20. A versão brasileira dessa linguagem deve muitíssimo a Nelson Triunfo. Natural do município pernambucano do qual empresta o sobrenome artístico, radicado em São Paulo, o autointitulado híbrido de Luiz Gonzaga e James Brown já desfilava a icônica cabeleira pelos chamados bailes black setentistas. No vai e vem das pistas, o dançarino, MC e ativista social criou os grupos Black Soul Brothers e, posteriormente, Funk & Cia, um dos mais notórios do Brasil. A transição do funk soul para o que se tornaria o hip-hop tropical acontece exatamente nos passos coreografados de Triunfo e sua turma. Nos estertores do regime militar – que prestou inúmeros desserviços ao país -, a Funk & Ci...

Olho no lance

Tenho um poeminha que diz assim: "Deram-me morangos/ para amenizar a morte súbita/ e uma ânsia de vômito/ impediu que eu provasse vermelho fruto./ Desapontando todos aqueles/ que ali estavam, tomei nos braços/ minha desfalecida esperança/ e a velei em outros cantos". Foi escrito ainda na juventude e me define. Sim, sou um descrente crônico. Um ressabiado em loop. Um existencialista tropical. Porém, me flagro deveras comovido diante do que tem acontecido nas ruas de São Paulo, do Brasil afora. Era exatamente o que desejávamos nós – antes do meu cansaço de alma - na série de protestos do final dos anos 1980: uma poderosa confluência de insatisfeitos. Não vou me estender em análises, há gente mais capacitada – e também não – pra tanto, mas, só quero deixar aqui registrado que o momento histórico é riquíssimo (ó, que sacada iluminada). Não estive nas manifestações desta segunda-feira, 17, nem nas anteriores; e é pouco provável que esteja nas próximas, no entanto, sigo de olho no ...

"Memórias do Chumbo: O Futebol nos Tempos do Condor"

Episódio Brasil Episódio Argentina Episódio Uruguai Episódio Chile Enquanto paixão nacional, o futebol não me diz absolutamente nada. Mas seus bastidores interessam-me muito. A série "Memórias do Chumbo: O Futebol nos Tempos do Condor", assinada por Lúcio de Castro e exibida pela ESPN Brasil no final do ano passado, por exemplo, é algo de extraordinário. Um trabalho de fôlego que revela/confirma a conexão entre as ditaduras da América Latina e o esporte bretão.